Ego, hype e saúde mental: a cozinha adoece quem nela trabalha
Mais de 20 anos na hospitalidade. Quase 13 no fogo. Já vi de tudo: chefe abusivo que grita até perder a voz, colega que ameaça de morte por causa de mise en place, cliente que se acha rei da cocada preta e passa por cima de garçom, hostess, manobrista e quem estiver na frente. Um tempo atrás, vi sabotagem em uma cozinha por onde passei. Recentemente, assisti, estarrecido, uma chef e empresária italiana moer psicologicamente seus colaboradores sem dó. Isso não é raro. É regra em muita casa por aí. René Redzepi - Fonte: Condé Nast Travelle - 2016. O caso mais famoso do momento é o do chef René Redzepi, do Noma (três estrelas Michelin). Ele “deixou o comando” depois que 35 ex-funcionários soltaram a voz: agressão física, humilhação pública, jornada desumana. Coisa de gente que aprendeu a sofrer e resolveu reproduzir o sofrimento nos outros. A síndrome do oprimido que quer oprimir. A pergunta que fica é simples: até onde você se rebaixa para estar no hype da gastronomi...










